24 de jul de 2011

^^

Sabe, hoje eu acordei com o coração doendo. Dessa vez, definitivamente não é por causa de homem e sim por causa de uma mulher.

Parece meio estranho falar assim, não é? Mas não acho que pensar em mulher seja problema. Pelo menos não no campo amoroso de relacionamento (nada contra quem gosta, ok?).

Sabe, hoje eu acordei pensando demais na Liziê. E por que não falar, já que pouquíssimas pessoas lêem aqui, e eu preciso exteriorizar o que sinto?
Acordei pensando muito nela. Ai, que droga, meus olhos estão cheios de lágrimas! Eu não me sentia assim desde que briguei feio com a Yayoi e te garanto, aqueles foram dias de tensão. Mas voltando ao assunto...
Ontem, meu pai e eu fomos no centro espírita e fiz, pela primeira vez, Irradiação. Irradiação é quando você escreve o nome das pessoas que você quer numa folhinha de papel e pede aos bons espíritos que as protejam. Escrevi o nome do pessoal daqui de casa, da casa da minha tia, da outra dia e dos meus irmãos. E em outro papel, pedi pela família do Marcelo e pela família da Lizie. Achei interessante que me deu um estalo e lembrei o nome todinho dela, mas enfim. Escrevi o Marcelo porque quero demais que ele consiga o que realmente precisa e saia de certos vícios e escrevi pela Liziê porque faz tempo que não a vejo, não tenho contato. As últimas vezes que li, ela andava meio irritada, mas sempre tentando zoar. Liziê e eu, no fundo, somos basicamente iguais. Ela só tem algo que eu não tenho: coragem.
Sei que fiquei pensando nela o resto da palestra, e quando fui tomar o passe, vinham alguns vislumbres de como a gente se divertia juntas, ria, de quando ela simplesmente dizia um "oi, fiota". Não quero que tipo, ela me chame de "fiota". Quero que ela apenas... sei lá.

Faltei muito com ela, muito mesmo. E me sinto um verdadeiro nojo sempre que penso na titica que eu fiz no início do ano. Acho que isso vai me acompanhar pro resto da vida e hoje em dia, eu percebo a magnitude dessa merda (desculpa o termo). Envolvi pessoas nada a ver nessa briguinha e aumentei ainda mais o que posso chamar de A Maior Merda Que Fiz.
Cara, eu me sinto altamente arrependida. Quando paro e penso no antes, no durante e no depois, que ainda me encontro, me sinto tão infantil, tão mesquinha, tão idiota! Acho que se arrependimento matasse, eu já estaria morta e enterrada há tempos. Seria meio que como uma fênix paraguaia; renascendo a cada meleca para repetí-la.

Quando paro e penso, vejo que a culpa é única e exclusiva minha, sabe por que? Porque eu não soube aceitar as coisas. Era extremamente egoísta, infantil, tola, não que eu tenha deixado de ser, sabe, mas naquele tempo era pior. Minha conselheira espiritual ontem me falou certas coisas que sei muito bem que não são válidas apenas para o assunto que tratávamos. Engloba tudo, tudo mesmo. Eu me sinto tão diferente, sabe, pode parecer besteira minha, mas hoje quando acordei, eu me senti diferente. Grande parte foi por ter acordado pensando na Liziê.

Marcelo tem uma coisa que eu não sei bem o que é, mas de vez em quando me pego procurando um nome. Ele tem a capacidade de me fazer tomar consciência das coisas que faço com poucas palavras. Yayoi, Gabrielle, Luciana, minha família... todo mundo, há tempos, me falam determinadas coisas que eu simplesmente dizia "ah, ok" e empurrava com a barriga. Ele me conheceu ontem, falou a mesma coisa que essas pessoas falam há anos, e fez muito mais efeito do que elas. Isso não tem, em absoluto, nada a ver com os sentimentos amorosos que tenho por ele. Procuro-o porque gosto de estar perto, de ouvir suas estórias, ele me passa a sensação de conforto, de proteção.
Liziê tem algo meio que parecido. Não estou menosprezando minhas melhores amigas e amigos, mas sabe, é com ela que tá caindo a minha ficha de que realmente eu preciso ser uma pessoa melhor para com meus amigos. Não posso omitir o fato de que desde que brigamos, em Fevereiro, ao menos duas vezes por dia, penso nela. No início, era um sentimento de ódio, de raiva que, novamente, confesso envergonhamento. Depois as coisas foram equilibrando mas ainda eram muito oito ou oitenta. E ontem, depois da minha primeira conversa com minha conselheira espiritual, caiu de vez a ficha. A Liziê significa pra mim todas as pessoas que destratei com meus modos tolos e infantis. Claro que não se enquadra a todas as pessoas que passaram na minha vida, mas sinto que ela é a pessoa que centralizou, canalizou, toda essa força cósmica de não-amizade que cultivei.

Isso aconteceu com pouquíssimas pessoas na minha vida. Tem certos momentos que a gente só percebe a merda que faz depois que perde. Deus me livre perder novamente as pessoas que conquistei. Eu não quero mais acordar de manhã sentindo que meus parentes estão com raiva de mim. Não quero mais acordar de manhã e sentir que estou só nesse mundo, sem amigos ou colegas. É o pior sentimento do mundo você olhar para um lado, olhar para o outro e se ver sozinha; você ver essas pessoas ao longe e ter uma corrente prendendo seus pés, impossibilitando que você alcance-as. Apartir do momento que você se permite, se permite a meter a mão no bolso e procurar a chave, você se torna uma pessoa um pouco melhor. Mas esse "um pouco melhor" pode se tornar "melhor" se você realmente se permite a ser diferente. Aquela velha estória do "Não sei o que em pedra dura, tanto bate até que fura" definitivamente foi o pior ditado que já foi criado. Do que adianta você continuar insistindo em um erro? De tanto que enche, o outro concorda de mal grado, só pra te deixar feliz. Depois, a situação enrola novamente, até que você recebe uma resposta que não quer e fica se lamentando pelos cantos.

Eu estava assim. Continuo insistindo em erros, tento acobertá-los mas eles continuam ali, firmes e fortes, rindo com desdém ao dizer "Sua tolinha! Você pode tentar quanto for, mas estamos sempre aqui". Sabe, eu não quero isso. Eu quero enfiá-los dentro de uma caixa de ferro e mandar às favas. Eu quero ser uma pessoa melhor.

Sei que nada mais vai ser como antes, nada é como antes. Quinta encontrei com a Helena no shopping e percebi, no papo, que mesmo que a nossa gangue da sétima série voltasse a se ver, a se falar como antes, não seria a mesma coisa. A gente tem que usufruir ao máximo dos momentos para que possamos, no futuro, olhar pra trás e ter orgulho, ter aquele sentimento gostoso de nostalgia. Nada impede que você procure aquelas pessoas, mas tenha em mente que nada vai ser como antes. A gente cresce, a vida nos leva a caminhos diferentes. Mas se dá para resgatar um tiquinho que seja daquele momento antigo, valerá a pena.

A palestra de ontem foi sobre meu assunto predileto: reencarnação. Eu ia escutando e pensando nas pessoas que tenho na minha vida e cheguei a uma conclusão que pode parecer ridícula, mas pra mim, agora que tá fazendo sentido: Todas as pessoas que passam na nossa vida têm um significado muito maior do que a gente acredita. Mesmo que a gente diga "com essa pessoa aprendi a ...", não dá. O real motivo é muito mais profundo do que um jogo de palavras. Certas coisas são invisíveis ao olho nu, são silenciosas ao ouvido; mas são barulhentas e claras para o coração, para a alma.

Me arrisco a dizer que a Liziê tá me fazendo, inconscientemente, refletir sobre amizades e seus reais significados. Acredite, há tempos não pensava como estou pensando agora (uns 10 anos mais ou menos), e o natural é que eu pensasse com a cabeça de uma pessoa de 22 anos que sou. Na época, aos 12, 13 anos, eu pensava como tal, afinal, eu tinha o que me era necessário e agradecia aos céus por isso. Com o passar dos anos, com as perdas, fui chegando cada vez mais ao fundo. Desde o fim de Junho, estou me resgatando do fundo, ao menos tentando. Ao menos tentando. Eu quero e vou conseguir, nem que pra isso eu precise praticar rapel e não preste atenção no meu medo de altura.

Hoje eu acordei pensando um pouquinho com a cabeça da idade que tenho. Não estou dizendo "oh, eu acordei mais madura", não é isso. Acordei um tiquinho mais consciente das coisas que faço e que fiz. Dos amores que enganei, das amizades que perdi.

Nana me explicou algo que.. não sei como explicar mas é o certo. Ela disse, entre outras coisas, que se tenho tanto carinho, tanto amor, para dar, que o faça sem querer receber algo em troca. Eu espero demais das pessoas ao meu redor e definitivamente me machuco quando elas não retribuem na mesma intensidade. Remédio em excesso vira veneno, disse ela. Estou levando essa frase porque não é só no campo 'sou amorosa, beijos'. Isso vale para tudo. Sou compelida ao extremo, tudo comigo tem que ser ao extremo. Quero sua amizade intensamente, quero seu amor intensamente, mas se você não me dá, ok, eu vou me magoar. Foi isso que aconteceu.

É por isso que as pessoas que amo se afastam de mim. É por isso que eu não evoluo espiritualmente. Tenho vícios. Preciso largá-los.
Nesse processo, encontro as pessoas-chave para a mudança: Marcelo é um deles. E estou percebendo, finalmente, outra pessoa: Liziê.
É uma péssima comparação, mas pensando com meus botões, agora, todos nós temos nossas Horcruxes; no final de tudo, nosso "Lord Voldemort" são nossos maiores vícios e quando acabamos com eles, nós atingimos a paz. Ao contrário de Harry Potter, nossas horcruxes não possuem um número finito. Não é "um para isso, outro para aquilo". A gente reconhecesse esses negócios com o coração. E reconhecendo-os, aprenda com eles. Aprenda o que cada um deles quer dizer e junte esse conhecimento para seu crescimento. Quando chegar a hora, você saberá como usá-los.

Não cai mais lágrimas, apesar de ainda estar com algo entalado na garganta. Queria muito ligar para ela, perguntar como ela está, se precisa de algo, ou simplesmente para ouvir um "o que você quer?", mesmo que seja grosseiro. Aish, Liziê Bonim, você me ensinando certas coisas que nunca pensei que viria de você! Mas mesmo assim...

Obrigada!

1 comentários:

P. Sena disse...

Chorei aqui tá...