5 de mai de 2010

Juventude Em Peripécias Culinárias


"Façamos um minuto de silêncio pelas pessoas que tiveram a péssima sensação palidativa de comer algo que ela cozinhou!"

Lembro de quando eu era pequena e mamãe dizia: "Essa menina é horrível pra comer". O tempo passou, aliás, 21 anos se passaram (por assim dizer) e ainda escuto "Só isso?".
Nunca fui boa de garfo. E nunca irei ser, acho. De uma coisa tenho certeza: grande parte da minha vida é relacionada a esse estranho hábito de mastigar, engolir e, desculpe o termo, colocar para fora pela porta de trás. Sei que esse não é o linguajar certo para uma mocinha meiga e fofa (cof cof) como eu, mas gosto de ser bem realista, às vezes.

Sei quando estou com fome, e não é pelo estômago roncando. Começo a sentir muita dor de cabeça, e, o que é raro de acontecer, eu desmaio. Mesmo se for uma "fomezinha" beeeem pequenininha. Tirando os dias que eu não sentia fome e simplismente não almoçava, quando estava no estágio, só teve uma vez que eu senti fome de verdade. Foi há três ou quatro anos, quando tive uma "ite" da vida e eu não conseguia nem abrir a boca. Devo ter emagrecido uns quatro quilos naquela maldita/fatídica semana. Eu chorava de dor e, por que não, de fome, porque eu não conseguia abrir a boca, muito menos fazer qualquer outra coisa. Na época, eu tinha namorado (o fdp) e eu não podia chegar perto dele, porque eu queria beijá-lo e não podia, porque doía até se eu encostasse os lábios em um canudo para beber água. Ali eu senti uma puta (desculpe) de uma fome, não desejo pra ninguém aquela "ite".

A realidade é que qualquer coisa já "forra" o meu estômago. Mesmo se eu estiver com fome, uma empada me enche. Quando digo que eu odeio batata (frita, assada, encrepada, etc) e as pessoas me olham atravessado, é por isso. Batata é o alimento que mais me enjoa e mais me enche. Se eu mordo um pedaço de bolinho de batata, não como o resto, porque já fico cheia, mas empurro pra dentro porque sei que vou ouvir horrores.


Agora, quase um ano depois de sair do estágio, fazendo um balanço dos gastos com o meu salário, eu percebi que 80% do mesmo era gasto com comida. Seja com o sorvete na farmácia que tem perto do estágio (leia-se: "Oi, tem o meu cunhado aí?" - cunhado = Tablo, do Epik High = Sorvete Tablito...?) , com pipoquinha na rua (mesmo sabendo da minha alergia), não ter tempo para almoçar no estágio e comer no Shopping (péssimo hábito, eu sei, mas é que Spoleto é vida!).. até nossas pizzas semanais (que eu fazia questão de não ir sempre) , tanto com o pessoal do estágio como quanto em casa.

Bueno, não vim falar de como o meu estômago fica cheio fácil, vim falar dos meus (péssimos) dotes culinários.
A verdade é que eu sou um terror na cozinha. Ok, ok, não é algo que se diga 'socorro, ela vai cozinhar'. Mas eu não sei fazer um arroz sem queimá-lo ou deixá-lo empoçado. Por outro lado, se você me pede pra fazer qualquer sobremesa, sei lá, um pudim, nunca queima, nunca fica ruim e faço com o maior dos prazeres. Minha uruca é mesmo com almoços e jantares.

Na minha família, na época de Natal e Ano Novo, as minhas tias cismam de que cada uma tem que fazer alguma coisa. Geralmente fico com a sobremesa, principalmente depois do caso do arroz.
O caso do arroz, como posso explicar o caso do arroz...? Bem, eu sou péssima medindo as coisas, principalmente arroz, então, no início, eu não sabia como fazer arroz suficiente pro pessoal (porque eles adoram arroz. Sério, eu nunca vi alguém que goste tanto de arroz, é mal de gaúcho, assim como baiano curte feijão?). Eu fiz. Até ficou bonitinho, sabe, não queimou, não aguou (muito), estava douradinho, tão meigo... Só que a inteligência rara que vos fala pôs açúcar no lugar do sal. Foi muito gostoso comer arroz "tapado" (cheio) de açúcar! Pelo menos ninguém me zoa mais com isso.

Quando eu era pequena e aprendia as coisas, eu vivia por fases. Quando tinha seis anos, aprendi a fazer bolo. Todos os dias era um bolo diferente. Quando eu tinha nove, foi a fase da empada, uma das mais traumáticas da minha vida.
Naquele tempo, onde eu morava ainda não tinha aquela lanchonete maravilhosa da dona Adriana (acho que é Adriana o nome dela) e, para conseguir uma, eu tinha que ir atéee a rua perto da minha escola para comprar uma. Era umas duas ruas depois da minha casa, mas ainda além dos meus limites infantis (que se resumia ao portão de casa) (mas isso é história para outro post). Então eu fazia empadas em larga escala, tipo umas cinquenta, quase todo dia. Para mim, claro. Se eu morasse nos exterior, seria uma das coisas que eu mais sentiria falta. A empadinha.
Enfim. Todos os dias, quando meus pais chegavam do trabalho, viam aquela montanha de empadinhas de queijo e, na maioria das vezes, ficavam enjoados de comer tanta empada. Um belo dia, ouvi: "Pra mim, chega de empadas! Você as fez, você que coma todas!" Obviamente me neguei, afinal, estava jogando algo que não era Mortal Kombat, no meu computador monitor preto-e-branco, no quarto de mamãe, e estava entrertida, tentando passar de fase. Não adiantou e, além de ficar de castigo (não pude assistir o especial das Spice Girls com o Elton John, lembro que foi até na Band!), tive de comer mais ou menos 100 empadinhas de queijo.

O tempo passou e a mania de "comida" por fases só voltou uma vez. Quer dizer, volta sempre que der na telha. Hoje foi um desses "porém"'s.

Antes de tudo, quero deixar registrado que se tem uma comida (falo comida comida mesmo, nada de doce nem nada) que eu morro de amores é Estrognofe. É a única vez que você me verá comendo batata frita na sua vida (antes que pergunte, sim, eu não como as batatas fritas dos McDonalds', Bob's', etc da vida, então, se quiser sair comigo para esses lugares, será sua felicidade). Sem contar que é a única coisa (de comida comida) que eu sei fazer "bem". Entre aspas porque de vez em quando fica muito temperado, pálido demais, mas, no geral, faço o melhor estrogonofe da família Mathias. Modéstia a parte, fica bom mesmo xD
Bom, hoje bateu a zica e o fiz. E hoje foi uma das raras exceções que sim, ele ficou muito temperado e o arroz aguou um tico, mas o bicho ficou bom. Preciso pedir para a minha mãe esconder as carnes ainda hoje. Senão, até o início da próxima semana, todos os dias será estrogonofe na minha casa, no meu almoço.

Me sinto ultra Sunny em "Cooking? Cooking!" quando o assunto "almoço/jantar" volta ao centro da conversa do baile. Dou aquele sorriso amigável e simpático, enquanto, por dentro, grito para que o assunto mude. E sempre vira um novo "agregado", que recém integra o papo e, com o maior dos sorrisos, dirige-me suas próximas cinco palavras - que formarão a pior frase do mundo, pelo menos para mim -, "Qual é sua especialidade culinária?". Sorrio, pensando seriamente em tirar minhas luvas e amarrá-las em seu pescoço, respondendo: "Estrogonofe". Normalmente as sobrancelhas se erguem, em sinal de respeito, afinal, até onde se conhece os anfitriões, eles adoram coisas "requintadas" e consideravam Estrogonofe algo como tal. "Que tal marcarmos um dia para todos provarmos de sua especialidade?" sugere ele, ao que todos concordam e eu, pobre coitada, preciso pensar rápido. Mas o estrago maior já estava feito. Se estou irritada ou chateada, comida nenhuma sai boa. Queima, assa, fica cheia de água, empalidece, fica muito temperado. E perco os amigos e o convite para o próximo baile da sociedade.

Nessas horas, dou graças que consigo, pelo menos, fazer o melhor pudim de leite da família. Do contrário, pegaria minhas luvas e me enforcaria!

super junior h - cooking? cooking!

4 comentários:

Gabrielle disse...

Esse post tirou lágrimas dos meus olhos!

Açucar no arroz? XDDDDDDDDDDDDDDD

Dong, eu sempre soube q vc n sabia cozinhar direito! o/

Agora, qndo eu ver vc indo pra cozinha eu vou gritar pra todo mundo...

FUJAM PRAS COLINAS!!!

Yayoi disse...

Eu tbm não sei cozinhar não! Sou tão impaciente que um tempo, nem esses arroz de pacotinho eu fazia direito! xD

Bolo e cookie eu faço bem tbm! ^^

Gabrielle disse...

Yayoi e dong, me lembrei sempre de nunca aceitar almoçar/jantar na casa das senhoritas! :P

Roses disse...

Nossa Debbie, eu sempre fui exatamente o contrário, era um tal de "meu, vai comer DE NOVO?" toda hora. Lol pro tablito, mas eu não sou muito chegada nesses sorvetes assim não, meu negócio é fruta mesmo^^

Acho que os genes correm na família né, DH também parece ser um horror, do tipo que deixa tudo com gosto de anda mesmo colocando tudo o que tem na geladeira.[foge]

Mas fica tranquila, a unnie tá aqui pra isso né^^