1 de jun de 2011

The End.

Todo começo tem um fim. Todas as coisas boas possuem um fim. E ontem, chegou ao fim um dos momentos mais incríveis de toda a minha vida..

Sabe, ontem, quando anunciou-se o fim pela primeira vez, eu senti o chão se abrindo e uma criatura maligna querendo me puxar. Mas respirei fundo e perguntei, "Por que?". Então saímos, a fim de conversar, entender. Quando foi anunciado da segunda e terceira vez, aquela criatura voltou, postou-se do meu lado, esperando que eu a seguisse. Bati em sua mão com seus comentários horríveis e engoli todas as possibilidades de chorar. E não chorei. Até escrever a palavra "fim" na primeira frase desde post.

Há seis meses, uma amiga (ou ex-amiga) me convidou para passar o final do ano com os amigos dela. Foi a primeira vez na vida que eu fiquei longe dos meus pais e foi a primeira vez que eu realmente deixei o meu passado no passado e estava disposta a começar uma nova vida, um novo futuro. Naquele dia, 31 de Dezembro,fui apresentada às suas amigas e ao seu amigo, um cara meio magricela mas gente fina, chamado Marcelo. No início, não nos demos muito bem, cada um no seu canto, mas depois de algumas palavras trocadas, chegamos à conclusão de que a gente parecia se conhecer há eternidade. Ele quebrou o que posso chamar de "Ciclo da Novidade"; eu estava disposta a sei lá, não me apaixonar, não gostar, mandar tudo para as cucuias e virar o que eu realmente sempre detestei, porque talvez assim, as coisas fossem finalmente dar certo para mim. Nós ficamos, no meio de uma sessão de cinema, e até hoje acho um barato como foi: no início, não bateu, mas depois, virou o melhor beijo que eu já experimentei em 22 anos (praticamente) de vida. O melhor abraço, o melhor carinho no ombro, o melhor tudo. Quando dei por mim, antes do final de Janeiro, estava completa e loucamente apaixonada por ele. E levei um susto, porque só havia ficado apaixonada uma vez na vida e por alguém de outro Estado. O que tinha nele de tão especial?

No aniversário do Koen (é, eu lembro), ele me falou que se eu esperava dele um relacionamento sério, era para tirar os macaquinhos da chuva. Ele ainda amava uma tal Francine, que, com todo o perdão, é uma tremenda idiota de ter deixado escapar um cara como este. Fiquei profundamente triste, chateada, magoada, fui embora. Ele veio atrás de mim. Recomeçamos. Ele conheceu minha tia, quando fomos almoçar depois de uma trilha. O pessoal já associava ele a um namorado que não era. A pressão era grande, e por mais que eu adoraria tê-lo como namorado, talvez não fosse melhor, não poderia me apaixonar daquela forma.

O tempo foi passando, a tal Francine não dava uma resposta para ele, tentamos parar de nos ver, de nos conhecer mais. Era impossível. Sempre que nos víamos, era um beijo mais longo, um abraço mais forte. No dia 12 de Março, no meio de um filme que literalmente retratava nosso "relacionamento", ele perguntou se eu não gostaria de namorar com ele. Minha cabeça deu um giro de trezentos e sessenta graus, meu coração foi para a boca e de repente, o resto do filme ficou em tela preta. Ainda naquela noite, mas na praia, ele me perguntou novamente. Até hoje acho que esse início foi conturbado porque Francine chegou no Grupo Escoteiro com o namorado e aquela era uma resposta. Talvez ele estivesse começando comigo como vingança, ou algo do gênero. Eu aceitei. A menininha estava completamente apaixonada de novo mas ia se segurar, não poderia dar vazão a todo um amor não retribuído.

O início não poderia ser melhor. Nós brincávamos, ríamos, eram saídas intermináveis, inclusive uma viagem como presente de um mês de namoro - e que diga-se de passagem, foi super, porque meus pais deixaram ir para outro município com ele; e foi quando reparei que eu não estava apenas apaixonada. Eu estava amando o Marcelo, como nunca amei qualquer outro cara, inclusive o de Santa Catarina. Foi olhando as estrelas no céu, deitada ao seu lado na rede, que eu percebi quão sortuda eu era de ter um rapaz como ele comigo. Talvez fosse um presente dos céus, algo bom para que esquecesse de vez todos os dramas e traumas passados. Eu era feliz ao seu lado, uma felicidade quase estupida - mas era feliz. Quando ele sorria, era como se abrisse um sol e se ele ria de verdade, me sentia tão, mas tão bem, que é impossível chegar a algo que se comparasse. Seu abraço era o mais gostoso, o mais tenro, o mais aconchegante de todo esse planeta e quando estava perto dele, era como se o resto do mundo parasse, apertasse o botão para pausar e nada mais importava. O tempo passava, os minutos corriam alucinados e logo era hora de ir embora, mas uma coisa era certa: quanto mais eu tinha, mais eu queria. Era uma química boa, um tipo de laço profundo que não sei sinceramente como se desfez.

Na semana que adoeci, depois da viagem, que fiquei uma semana entre delírios, desmaios e dores de cabeça alucinantes, ele vinha todos os dias me ver. Devo ter dado muito trabalho, com todos os meus choros, alucinaçoes e desmaios rápidos. Mas ele estava aqui, do meu lado, não arredava o pé - e isso somou mais um grande bocado onde eu considero ser minha "Dívida". Eu gosto de alegrar, animar, amar, divertir, dar o melhor de mim para ver alguém sorrindo. Por ele ter cuidado de mim, feito tudo o que fez, a pilha desta dívida cresceu ainda mais, mas ao mesmo tempo que eu pensava "Não, preciso pagá-lo de alguma forma", mais eu sentia que crescia. Hoje em dia, sinto que minha dívida ultrapassa qualquer limite de galáxias.
O problema foi que dali a outras duas semanas, tudo esfriou de uma maneira colossal. Nos víamos praticamente todos os dias e quando eu dizia "Eu te amo", não via a sinceridade. Não sou de falar "Eu te amo" tão facilmente e conto nos dedos as pessoas que realmente a ouviram da minha boca. Marcelo foi uma dessas pessoas. Até os beijos, que antes eram tão fortes e profundos, perdiam a graça de forma gradual. Meus sentimentos continuavam forte mas por alguma razão, o tamanho ia diminuindo. Que raios estava acontecendo?

Mas foi ele quem expôs, quem pediu um tempo. Eu fiquei meio paranóica, em transe, porque em menos de um minuto atrás, a gente estava maravilhosamente bem, rindo e brincando e no outro, o tempo. O maldito tempo. Um "Fim" ainda não declarado. Lembro que voltei para casa em um estado de estupor tão grande que não sentia as lágrimas caindo dos meus olhos. Meu maior erro foi ter mandado mensagem, ligado. Era um tempo; devia ter respeitado. No domingo, ele me tratou de uma forma tão fria, tão cruel [ao meu ver], que perambulei pelas ruas como uma zumbi, sem parar de chorar, com a vista turva e por pouco, quase desmaiando no meio da rua. Mais tarde, quando nos encontramos, ele expôs o problema e apontou para mim tudo o que minhas grandes amigas me falam a praticamente dez anos. Aquilo foi um choque tão, mas tão grande, que me prometi e me permiti, de verdade mesmo - mudar. Pessimismo, o pior dos problemas, está sendo muito bem tratado, obrigada. Ainda estou em fase de mudanças profundas - não porque ele falou, mas foi por ele ter falado que meio o maior baque. Naquela noite, meu pai veio berrando comigo no carro; eu ouvia a voz dele, mas não era mais do que vozes ao longe, palavras ao longe. Foi depois de dois dias que eu percebi que eu estava realmente precisando amadurecer e estou lutando por isso, desde então.

Dois dias depois, acabamos nos encontrando novamente, no Círculo do Parque Guinle, e ali um beijo aconteceu. Foi o melhor beijo de todos os nossos momentos, porque mesclava saudade, afeto, carinho, tudo, tudo mesmo. Parecíamos dois sobreviventes do Titanic, mas acho que nem isso parecia, na realidade. Melhor parar de arranjar comparações, não existem. Para aquele beijo, não existe. Começou com uma massagem e quando fui fazer a massagem em seu rosto, me contive bastante, como queria beijá-lo! Mas quando aconteceu, me senti uma personagem de contos de fadas; meu coração voltou a bater forte, fiquei gelada, queria chorar, gritar, sei lá... Só que eu não sabia que, com aquele beijo, deu-se início à putrefação da coisa toda... Toda vez que nos víamos, querendo ou não, a gente se beijava. Eu contava isso para as meninas e elas ficavam "Isso não parece um tempo, Deh!" e realmente, não parecia. Porque eu nunca tive um relacionamento que o cara dissesse "Quero um tempo", só via isso na televisão e mesmo assim, com uma visão cômica da coisa. A gente se beijava, se pegava, quase tudo mesmo. Inclusive, eu tentei procurar na internet alguns jeitos de ser boa com o namorado, de todos os jeitos, pois poderia usá-las para que ele visse que eu estava realmente em processo de mudanças severas e querendo continuar com ele! Adiantou? Bom, ele ficou bem contente com essas coisinhas, mas se de fato teve alguma influência?

Ontem, ele veio aqui em casa; eu estava [ainda estou] com sinusite, me sentia [sinto] fraca, mas fiz um bolo. Ele estava meio distante e eu não sabia como aproximá-lo. Fizemos guerra de ursos de pelucia, ele me encheu de cócegas, foi ultra divertido. Numa dessas brinadeiras, ele tocou numa coisa que estava há tempos escondido debaixo do tapete. Durante anos da minha vida, fui chamada de Morgana do castelo ra tim bum, que meti o dedo na tomada e coisas do tipo; sabe, isso doeu lá no fundo. E fiquei quieta. Até que no meio de um papo bizonho em inglês, ele conseguiu arrancar de mim que estava ficando cansada de tudo e estava pensando em desistir. Ele se sentou e começou a calçar os tênis, não ia mais comigo entregar os filmes, pegou a mochila. Empurrei ele para minha cama e começamos o que seria o início de nossa última DR. Descemos alguns minutos depois, ainda conversando, e quando chegamos na praça, ele disse que não queria mais continuar o namoro. Foi a segunda vez, quando a criatura voltou e simplesmente postou-se do meu lado, com sua risadinha ridícula. Eu comecei a me explicar, querendo entender o que estava acontecendo, e a cada palavra que saía, era uma risadinha a mais dele [da criatura]; Marcelo então disse que não se via namorando, que havíamos esfriado, que não era mais como antes. E no meio de coisas sérias, a gente fazia umas brincadeiras. Foi quando demos conta que nós nos damos tão bem, mas na hora do "vamos ver", da parada séria, a gente é diferente. Era um tentando decifrar o outro e quando achava que estava achando o código, o outro mudava radicalmente. Encarei isso com naturalidade, apesar de meu coração arrasado, dilacerado, destruído; eu adoro o cara, quero que ele seja feliz com quem quer que seja, quero que a mulher que case com ele se sinta a mulher mais sortuda do mundo, porque ela tem ao seu lado o cara mais maravilhoso do mundo. Engoli as lágrimas algumas vezes, e então, um beijo aconteceu. De novo. Lá no fundo, lembro de ter me perguntado "Pff, mas que belo término, uhn? Se pegando de novo!".

Voltamos a andar e encontramos uma rua aqui pertinho, onde sentamos no chão e conversamos. Contei algo a ele que nem minha mãe sabe, e acho que agora ele compreende um lado meu. Ele perguntou se eu sentia raiva da Francine e eu disse por quê. Relembramos as duas vezes que eu dei bola fora, a primeira inclusive foi o por que de a Lizie, nossa colega em comum, me odiar até hoje, e isso também martelava na cabeça dele. Eu contei da festa surpresa que iam fazer pra ele no aniversário, e sabe, até hoje eu me sinto uma pessoa altamente babaca por isso. A segunda vez foi quando fui atrás dele e fiquei perambulando pelas ruas. Quando meu pai hoje me chama de imatura e irresponsável, eu compreendo que sou mesmo. Nunca, na minha real sanidade, diria 'Quero que você vá para o quinto dos infernos', isso não é eu. Compreende, eu sei onde errei, estou tentando consertar merdas feias que fiz; não vai ser tudo resolvido como mágica, mas é melhor tentar do que ficar se lamuriando depois de não ter feito.
Algumas vezes nos beijávamos de novo e na escuridão do meu coração, confesso que algumas vezes achei que ele fosse voltar atrás, mas grande parte de mim sabia e sabe que ele não é assim. Não sei nem porque pensei nisso... Fomos andando em direção da principal novamente e então, ele perguntou se ia ser assim, um andando do lado do outro, com uma pedra de gelo no meio. A gente nunca teve esse iceberg, seria agora que ele iria vir?

Nós dois então começamos a lembrar de uns momentos incríveis, principalmente em Miguel Pereira, quando passamos um final de semana super bacana. Eu fechei meus olhos e fiquei relembrando, sabe, de quando andamos de pedalinho, de ver as estrelas na rede, de todas as vezes que fomos para o Parque Guinle, os pervos e os whatever, onde ficávamos deitados na barriga do outro, e então ele me abraçou. Abracei-o de volta, tentando falar alguma coisa mais, mas ele colocava a mão na minha boca; eu também me sentia mal a ponto de as palavras saírem engasgadas. Engolia o choro tantas vezes que sentia ânsias de vômito. Voltamos para minha casa, e na esquina, ele me deu um beijo na bochecha, dizendo que esperava que um dia, eu encontrasse um cara que fosse tudo aquilo que ele não era. Sabe, aquilo me doeu de uma forma que assim, é o que mais dói agora. Se ele acha que ele não foi bom comigo...

Ele foi a pessoa mais maravilhosa que apareceu na minha vida. Não estou falando isso porque ele é meu ex-namorado ou porque ainda gosto dele. Mas ele vai sempre ser muito especial e sabe por que? Porque ele me ensinou o que é amar de verdade. De falar "eu te amo" com naturalidade, de rir e chorar quando precisasse. Ele continua sendo meu melhor amigo; vai ser difícil separar o Marcelo amigo do Marcelo namorado, mas se eu não tentar, como saberei? Eu sinto que perdi um pedaço de mim, um pedaço tão importante que acho que não se regenera. Mas eu sei que vai, porque será preciso, É preciso. Quando ele pediu o tempo, também me dei um tempo. E resetei toda a minha vida. Antigas e desfeitas amizades estou tentando recuperar, tento descobrir o que quero realmente da minha vida, vejo as coisas por outros ângulos; quem de fato abriu meus olhos foi ele.

Ele me disse que talvez se arrependa, e brincando, falei que ele não vai encontrar alguém como eu, pois tenho um colo gostoso, um cafuné gostoso, um beijo bom, sou cheirosa, tenho peito, barriga e bunda boas de apertar... Ele riu, dizendo que sim. Eu não sei, sinceramente, como vou superar isso, mas sei que é necessário. Eu vou parar de chorar (as lágrimas estão caindo sem eu querer), tomar banho, arrumar minha roupa da entrevista de amanhã, mexer no HTML do Lolli e no Fórum do MIC. Óbvio que está doendo, e como tá doendo, putamerda! - mas espero que ele se arrependa. Mas que se arrependa de coração e esteja disposto a começar tudo do zero...


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